domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ao salto

Quando cheguei, enfim, para te conhecer,
Terminou o dia em extravagante brilho.
E para as imagens de teus gestos entender,
Fiz-me falar, equilibrado em frágil trilho.

Cheguei, enfim. Sorte e prazer de iniciante.
Percebi o exato momento da alegria de ser.
É dia. Há sol. A estrela brilha, essa gigante.
Os percalços do destino podem vir a perecer.

A abraçar o dom de diamante do asfalto,
Procuro por convicção. Corpo entregue,
Pulsão de calor, olhos virados ao alto.

Há 30 anos espero a graça do encontro.
A mente já a viver futuro reencontro.
Por que tão tarde? Vá. Vá. Ao salto!

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O Sonhador Eterno

O Sonhador Eterno me chamou
O povo. Pelas nuvens que fiz,
Pelas viagens de som que refiz
Num quarto que a paz reclamou.

O Sonhador Eterno. Assim ficou.
Com os sonhos nas pernas vivi.
Mas, quando as pálpebras abri,
Não achei o que a realidade levou.

O Sonhador Eterno, como pretende,
Às viagens de som que a luz criou,
Ser matéria o que ao coração prende?

Pelos tempos, enfim, sempre interno?
Onde estão as alegrias que chorou?
O Sonhador Eterno não é eterno?

O som do romance

O romance é uma aventura.
Já não sei correr acompanhado,
Pois já afasto a próxima.
Um sentimento inconsciente faz-me caminhar para dentro
E sentir-me só, e assim ter prazer de ir perdendo tudo.
Mesmo o carinho dela é uma arma que confunde.
E eu preciso tanto dela que machuca-me o não existir.
Se a vejo, escondo-me, fraco como as raízes podres.
Mas, se a não vejo, inquieta-me o futuro do vazio da escuridão.
Todo eu sou fraqueza que me destrói.
Toda imaginação passa por mim como rosas com
                                         o som do romance no fim.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Corpo

Perto de você são largos os espaços.
Perto de você há luz, flora e amora.
Perto de você não há dias errados.
Há anos sem frio. Nuvens lá fora.

Meus braços são duas fartas armas
Ao encontro dos fins ensolarados.
Abraçam, sentem as ondas apertadas
Dos seus sonhos a mim apalavrados.

As noites são verão. Sorrisos. Risos.
Há gaivotas alvas de golpes precisos.
Há gritos impiedosos de exaltação.

Expulso o pesadelo! Guardo o coração!
Sou, por este Romance, por esta emoção,
Corpo entregue que se encontra nos versos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Lealdade

Amigo, a lealdade me emprestou
E na memória o dom sobreviveu.
Como uma janela ao luar, cedeu
A onda da própria música que sou.

Numa manhã de verão testemunhou
As feridas que o inverno conheceu.
Jamais vão poder imaginar o meu
Temor que em gratidão resultou.

E altivo, sobre os pés da solidez,
Como oração da noite polidez,
Em momentos de tranquilidade,

Como se fossem versos a subir
Aos Céus, digo as notas a exibir
A melodia da fluidez: a lealdade.